Como mudam os nomes portugueses depois da emigração
Um dos desafios mais frequentes na genealogia portuguesa é encontrar a mesma pessoa com nomes diferentes em documentos distintos.
Depois da emigração, os nomes portugueses eram muitas vezes abreviados, traduzidos, reorganizados, mal escritos ou adaptados à língua do novo país.
Para os descendentes que investigam a história familiar nos Estados Unidos, Canadá, Brasil ou noutros países, compreender essas alterações pode ser decisivo para encontrar um antepassado e não perder o seu rasto.
Porque podem mudar os nomes portugueses?
Existem várias razões para um nome português aparecer de forma diferente depois da emigração, entre elas:
- Diferenças linguísticas
- Erros de escrita ou de registo
- Simplificação
- Tradução
- Adaptação ao inglês
- Ordem diferente dos apelidos
- Omissão de apelidos
- Alcunhas informais
- Caligrafia pouco legível
- Pronúncia mal compreendida
Por vezes, o próprio emigrante alterava intencionalmente o nome. Noutras situações, a mudança acontecia quando um funcionário, sacerdote ou recenseador o escrevia de outra forma.
Os nomes próprios podem ser traduzidos
Alguns nomes próprios portugueses foram adaptados ao inglês ou a outras línguas. Por exemplo:
- João → John
- José → Joseph
- António → Anthony
- Manuel → Manuel ou Manny
- Francisco → Frank
- Joaquim → Joseph, Joaquin ou Jack, consoante o contexto
- Maria → Maria ou Mary
Estas alterações não eram uniformes. A mesma pessoa podia aparecer com o nome português num documento e com a versão inglesa noutro.
Os apelidos podem ser abreviados ou simplificados
Os nomes portugueses podem ser longos, sobretudo quando incluem apelidos de ambos os pais. Depois da emigração, um ou mais apelidos podiam desaparecer.
Por exemplo, alguém chamado José Manuel de Sousa Pereira podia surgir mais tarde como Joseph Pereira, Joseph Sousa ou até Joseph Perry, dependendo da adaptação feita.
Isto torna mais difícil reconhecer a mesma pessoa em registos diferentes.
A ordem dos apelidos pode mudar
As tradições portuguesas não seguem necessariamente os mesmos padrões dos países anglófonos. Uma pessoa podia usar um apelido em Portugal e outro no estrangeiro.
Nalguns documentos, o último apelido era entendido como apelido de família; noutros, utilizava-se um apelido anterior. Por isso, não presuma que o último apelido de um registo será sempre utilizado nos seguintes.
São frequentes as variantes ortográficas
Mesmo quando o nome não mudava, a grafia podia variar. Os registos antigos eram manuscritos e a ortografia nem sempre era uniforme.
- Sousa / Souza
- Teixeira / Texeira
- Rodrigues / Rodriguez
- Fagundes / Fagundez
- Medeiros / Mederos
Estas variantes podem refletir a pronúncia, a caligrafia ou a língua de quem escreveu o documento.
Nem sempre foram os funcionários da imigração que alteraram os nomes
Uma história familiar frequente atribui a mudança do nome de um antepassado aos funcionários de imigração no momento da chegada.
Em muitos casos, porém, as listas de passageiros já tinham sido elaboradas antes da chegada. As mudanças podiam ocorrer mais tarde, através do uso quotidiano, trabalho, naturalização, escola, recenseamentos ou outros documentos.
Na investigação genealógica, é importante verificar os registos originais e não depender exclusivamente da tradição oral.
Os nomes das mulheres podem apresentar dificuldades adicionais
As mulheres portuguesas podem surgir com diferentes combinações de apelidos ao longo da vida, incluindo:
- Apelidos de nascimento
- Apelido do marido
- Combinação de apelidos próprios e do marido
- Forma abreviada
- Apelido traduzido ou adaptado
Por isso, os registos de casamento e óbito podem ser especialmente úteis para confirmar identidades.
As alcunhas podem causar confusão
Nas famílias portuguesas era comum a utilização de alcunhas e nomes informais. Uma pessoa registada como António podia ser conhecida por uma alcunha que nunca aparecia nos livros paroquiais.
Da mesma forma, alguém que usava uma alcunha nos Estados Unidos ou no Canadá podia surgir com um nome muito diferente nos documentos portugueses. Pergunte aos familiares se os antepassados eram conhecidos por outros nomes.
Compare mais do que o nome
Quando os nomes mudam, a melhor forma de confirmar uma identidade é comparar outros elementos:
- Nomes dos pais
- Cônjuge
- Data de nascimento
- Idade aproximada
- Naturalidade
- Residência
- Profissão
- Filhos
- Irmãos
- Testemunhas
- Padrinhos
Vários dados coincidentes constituem uma prova muito mais sólida do que um nome isolado.
Os processos de naturalização podem ajudar
Os documentos de naturalização podem ser especialmente úteis porque, por vezes, apresentam tanto o nome original como a versão utilizada mais tarde.
Também podem indicar:
- Naturalidade
- Data de nascimento
- Data de chegada
- Nome do navio
- Cônjuge
- Filhos
Estes elementos ajudam a relacionar o emigrante com os registos portugueses corretos.
Os recenseamentos podem revelar várias versões do nome
Os recenseamentos constituem outra fonte importante. Um emigrante pode aparecer com grafias diferentes de um recenseamento para outro, porque os dados foram registados por pessoas diferentes. Pesquise sempre várias formas do nome.
Pesquise de forma flexível
Ao consultar bases de dados, não dependa de uma única grafia. Experimente:
- Variantes do nome próprio
- Traduções para inglês
- Ordem diferente dos apelidos
- Apelidos abreviados
- Grafias fonéticas
- Pesquisas com caracteres universais
- Pesquisa pelo cônjuge ou pelos filhos
Por vezes, é mais fácil encontrar outro elemento da família do que pesquisar diretamente o antepassado.
Os registos portugueses originais são essenciais
Depois de identificar um possível emigrante, os registos portugueses originais podem confirmar a ligação.
Um assento de batismo ou nascimento pode indicar:
- Pais
- Avós
- Freguesia exata
- Data de nascimento
- Residência
Estes elementos podem ser comparados com os registos de imigração, naturalização, casamento e óbito no estrangeiro.
As histórias de família são pistas, não provas
As histórias familiares podem preservar informações preciosas, mas os pormenores podem alterar-se ao longo das gerações. Um apelido pode ser recordado de forma diferente ou um nome próprio pode ter sido traduzido na memória familiar.
Utilize essas histórias como ponto de partida e confirme-as em fontes originais sempre que possível.
Precisa de ajuda para identificar um antepassado português?
Na Fagundes Genealogy, relacionamos os registos dos emigrantes com fontes portuguesas e açorianas originais.
Os nossos serviços podem incluir:
- Análise de variantes de nomes
- Pesquisa de registos paroquiais portugueses
- Registos civis
- Documentação de imigração
- Reconstituição familiar
- Transcrição em português
- Tradução para inglês
- Identificação de freguesias de origem
Se o seu antepassado aparece com nomes diferentes, uma comparação cuidadosa dos documentos pode ajudar a descobrir a sua identidade original.
